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O objetivo é profissionalizar a comercialização para que o produtor possa ter obter lucratividade com tomate e outros hortigranjeiros
Inovar em conceitos na tomaticultura faz parte do perfil dos produtores da região de Irecê, maior produtora da hortaliça da Bahia. No campo, por conta dos prejuízos provocados pelo geminivirus, investiram na mudança de cultivo de variedades de polinização aberta (OP) por híbridos. Agora, prejuízos ocasionados pela especulação e pela falta de comercialização organizada – a maioria das vezes feita diretamente a compradores na propriedade - levaram um grupo de 20 produtores a organizar a Cooperativa Jitomate, de produção e comercialização de hortifrutigranjeiros.
“A Cooperativa foi fundada com a finalidade de organizar a produção e a comercialização de tomate para que os tomaticultores tenham lucratividade na hora de vender. A instalação da cooperativa permitirá o fornecimento de tomate diretamente às Ceasas destes estados e também o estabelecimento de contratos com redes de supermercados, obtendo, desta forma melhores preços ao produtor”, esclarece seu diretor presidente, José Carlos da Silva Dourado. Inicialmente o foco será a comercialização de tomate, mas o objetivo é comercializar os hortigranjeiros dos cooperados, entre eles pimentão e cenoura. A região de Irecê é responsável pelo abastecimento dos principais centros urbanos da Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão e Pará.
Os tomates da cooperativa serão selecionados em packing próprio, que começa a funcionar já em fevereiro. Packings são estruturas compostas por máquinas de seleção, classificação e posterior embalagem dos frutos, o que permite comercialização com preços diferenciados de acordo com o tamanho e a cor. “A idéia de organizar a comercialização e montar um packing surgiu em junho do ano (2007) passado, quando os produtores visitaram packings no estado de São Paulo, durante visita à Hortitec, maior feira de horticultura do país”, lembra Moisés Romolo Angelim Lima Júnior, engenheiro agrônomo da Valeagro, empresa de insumos que atua na região.
O produtor e viveirista Rogério da Silva Dourado é o maior incentivador da tomaticultura regional e um dos cooperados que mais incentiva a iniciativa. Segundo ele, há 10 anos não havia produção em Irecê nem para consumo local. “Naquela época, produzi e distribui mudas gratuitamente para que os produtores começassem a ter contato com a cultura. Hoje a região é a maior da Bahia, uma das maiores do Nordeste e produz o ano inteiro.” Rogério Dourado ressalta que os produtores são altamente profissionalizados e colhem frutos de ótima qualidade, que se perde no transporte até os pontos de vendas em função de embalagens inadequadas. “Os tomates vendidos nos supermercados são do Sudeste, pois quando os nossos frutos chegam nos pontos de venda estão sujos e amassados”, observa e acrescenta que “com a cooperativa, vamos trabalhar para padronizar embalagens, que tem pesos variáveis entre 23 e 30 kg. Queremos agregar valor ao produto para que chegue com qualidade e também com embalagens diferenciadas para conquistar o consumidor”, enfatiza ele. “Neste sentido, a cooperativa vai ajudar o produtor, que já sabe produzir, a vender para que permaneça no mercado por muitos anos”, completa.
A Jitomate deverá começar a operar até março e representa cerca de 20% da produção da região de Irecê, que é de 2 mil hectares anuais, compreendendo cerca 350 hectares anuais de tomate (ou 3,5 milhões de pés ou 42 mil toneladas). A região compreende os municípios de Lapão, Ibititá, Canarana, João Dourado, América Dourada, Jussara, Morro do Chapéu, Cafarnaum, entre outras.
A primeira diretoria da Jitomate é formada por José Carlos da Silva Dourado – presidente; Nilton Sérgio Bagano de Campos - vice-presidente; e Gilberto dos Anjos - diretor financeiro.
A inovação no cultivo de tomate começou na região de Irecê há dois anos quando as plantações eram cultivadas a partir de sementes OP (polinização aberta). Castigada pela ocorrência de geminivirus, doença que reduz drasticamente a produtividade, os produtores locais migraram para o cultivo do tomate com o uso de sementes híbridas, com resistência ao TYLCV (geminivirus). Hoje a cultivar TY 2006, da Seminis, lidera o plantio com cerca de 90% da área plantada do mercado de híbridos regional. “Ao optar pelas sementes híbridas do TY 2006, os produtores conseguiram elevar a produtividade por hectare para 120 toneladas, contra as 80 toneladas anteriores, considerando o plantio de 10 mil plantas, e se não houvesse a infecção da lavoura com a virose”, observa o engenheiro agrônomo da Valeagro, Moisés Romolo Angelim Lima Júnior. Ele comenta que o produtor Rogério da Silva Dourado, que é altamente tecnificado, já conseguiu 180 toneladas por hectare – um caso excepcional. A produtividade foi obtida graças à adequação de espaçamento combinada com manejos corretos de irrigação e nutrição, esta orientada por análises de solo e foliares. Localizada no Semi-Árido nordestino, a região de Irecê é irrigada a partir de água subterrânea de poços artesianos – atualmente passando por situação difícil em virtude da prolongada estiagem que assola o estado, reduzindo a recarga dos aqüíferos, segundo Celso Ogassawara, engenheiro agrônomo da Valeagro sediado na região de Irecê.
Serviço: A Cooperativa Jitomate está localizada Rodovia BA-052, Km-370, Irecê-BA
Produtor, viveirista e vice-presidente da Jitomate:
Rogério da Silva Dourado – telefone (74)9963-1298
Engenheiro agrônomo da Valeagro:
Moisés Romolo Angelim Lima Júnior – telefone (87)8818-7022
Engenheiro agrônomo da Valeagro em Irecê:
Celso Ogassawara - telefone (74)9979-2754
Especialista em tomate, engenheiro agrônomo:
Jorge Hasegawa - telefone: (19)8111-5386