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O produtor Paulino Del Bosco observou, no ano passado, as lavouras de outros produtores que cultivavam o tomate Miramar e gostou do que viu: o formato dos frutos, a uniformidade e a resistência para viagens de longa distância. Esse é um item importante que os compradores avaliam, explica Paulino, “pois parte do tomate produzido em Caçador/CS percorre longas distâncias, sendo comercializada nos Estados do Amazonas e Acre”.
Ele plantou no final do ano passado 28 mil pés de Miramar, em área total de 2,2 hectares. A colheita foi iniciada em 15 de janeiro e como é feita em duas etapas, deverá se estender até 15 de março. A produtividade média está em torno de 400 caixas por mil pés, sendo que a média regional com outros tomates é de 350 caixas/mil pés.
O plantio em Caçador, a principal região produtora de tomates de Santa Catarina é feito na época mais quente do ano. “Isso exige que as cultivares tenham mais resistência e não amadureçam no pé em função do calor e umidade, o que acontece em outras espécies”, explica o produtor. Ele cultiva tomates há 25 anos na região e sabe que os compradores preferem tomates uniformes, de tonalidade verde escura e bem firmes. O Miramar não exige tratos culturais diferenciados e se adapta bem ao sistema de tutoramento por fitilhos, que estão substituindo as estacas de bambu antes utilizadas no envaramento.
Capital do tomate catarinense
O município de Caçador está localizado no Vale do Rio do Peixe em Santa Catarina, próximo a divisa do Paraná. A economia agrícola gera anualmente mais de 100 mil toneladas de olerícolas (tomate, alho e cebola principalmente), frutas de clima temperado (uva, maçã e outras) e culturas anuais (milho, feijão, batata, arroz e fumo). Mas, segundo a Prefeitura Municipal, o município se destaca mesmo no cultivo de tomate, alcançando uma produção de quase 50 mil toneladas/ano, o que proporciona ao município o título de maior produtor de tomate de Santa Catarina.
Ficha técnica do produto
O longa-vida Miramar é um tomate híbrido para mercado fresco e foi desenvolvido com o gene “Rin”, inibidor de amadurecimento, que proporciona mais firmeza ao fruto e prolonga sua vida pós-colheita. Ele foi lançado no Brasil pela Seminis há cerca de dois anos e tem mostrado boa adaptação a temperaturas elevadas, com alta produtividade e resistência a doenças. Pode ser cultivado tanto em campo aberto como em área protegida e possui plantas rústicas, indeterminadas e vigorosas, permitindo a condução em uma ou duas hastes.
O agrônomo André Hirano, da área de Desenvolvimento de Produtos da Seminis no Brasil, explica que o Miramar se difere dos demais tomates tipo salada longa-vida, pois produz pencas determinadas, com 5 ou 6 frutos, que dispensam o procedimento de raleio. Ele acrescenta que os frutos são uniformes, com peso entre 200 e 220 gramas, protegidos pela ampla cobertura foliar da planta e em áreas bem manejadas produz acima de 350 caixas por mil plantas, com baixo índice de rachaduras sob chuva e altas temperaturas. O ciclo de produção varia entre 100 e 110 dias após a semeadura e 75 a 85 dias após o transplantio. O Miramar é resistente à Nematóide, ao vírus ToMV e aos fungos Verticillium dabliae raça 1 e Fusarium oxysporum f.sp.lycopersici raças 1 e 2.
Mais informações:André Hirano
Coordenador Técnico de Desenvolvimento de Produtos da Seminis
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