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A região de Monte Alto/SP, é um dos principais pólos de produção de cebola do país. Em 2002, foram detectados pela primeira vez os sintomas graves de uma doença que, embora existente em outros países, ainda não havia se manifestado no Brasil. Segundo informações de agricultores e técnicos da região, os prejuízos médios foram da ordem de 70%, com casos extremos de perda total. Na safra de 2003, com a reincidência do problema, a Seminis e a UNESP/Jaboticabal iniciaram uma parceria para tentar diagnosticar e buscar soluções para o problema.
Os pesquisadores Dr. Modesto Barreto, a voluntária Érika A. G. Scaloppi e os Fitopatologistas da Seminis, Raquel Mello e Lowell Black, conduziram estudos a partir de amostras de plantas infectadas recolhidas em diversas propriedades da região agrícola de Monte Alto.
Essas amostras foram analisadas no Laboratório de Fitopatologia da FCAV/UNESP – Campus de Jaboticabal. Elas apresentavam amarelecimento e murcha gradativa das folhas, devido ao encharcamento dos bulbos, que apodreciam antes ou após a colheita, matando as plantas. Esses sintomas foram confundidos inicialmente com algumas doenças que já ocorriam na região, como a podridão bacteriana da escama (Burkholderia cepacia) e podridão basal (Fusarium oxysporum f.sp. cepae).
Mas as análises mostraram a presença constante de um outro fungo, que acabou sendo isolado pelos pesquisadores e, em junho de 2003, foi confirmado que se tratava de uma espécie de Phytophthora. Em seguida, o patógeno foi encaminhado à pesquisadores do Brasil e Estados Unidos que classificam os fungos e doenças, que o identificaram como Phytophthora nicotianae. Esta foi uma descoberta inédita e vai contribuir muito para o avanço nas pesquisas que buscam uma solução definitiva para este problema.
Após a identificação do fungo Phytophthora nicotianae em cebola, o professor e pesquisador Dr. Modesto Barreto, do Departamento de Fitossanidade da UNESP/Jaboticabal, divulgou algumas medidas de controle para a boa condução da cultura:
“É importante iniciar a cultura com MUDAS SADIAS para garantir que o patógeno não seja levado para áreas sem histórico da doença. Mesmo em áreas já infectadas tal procedimento retardará o inicio da epidemia.
O fungo P. nicotianae se desenvolve melhor em áreas com excesso de umidade no solo, portanto o MANEJO CORRETO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO evita o desenvolvimento e disseminação da doença. Pelo mesmo motivo a utilização de CANTEIROS ALTOS e o BOM PREPARO DO SOLO para plantio, evitando solos compactados, facilita a drenagem e conseqüentemente evita a proliferação da doença.
Uma outra prática cultural comum em cebola e que, com o advento da P. nicotianae, deve ser utilizada com cuidado é a adição de Matéria Orgânica nos canteiros. Esta prática às vezes provoca o ACÚMULO DE MATÉRIA ORGÂNICA em alguns pontos da área, favorecendo a alta umidade e é freqüente o início da doença nesses locais.
Também é uma boa medida controle RETADAR PLANTIO. A instalação da cultura em períodos chuvosos pode provocar uma rápida evolução da doença em áreas infestadas com o fungo.
Por fim, se necessário, o agricultor pode lançar mão do CONTROLE QUÍMICO com a utilização de produtos para oomicetos tais como o Metalaxyl e o Dimetomorph.”
Raquel Mello
Fitopatologista a Seminis
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