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Aumentar o consumo de hortaliças para proporcionar aos brasileiros uma alimentação mais saudável é a meta de algumas entidades, empresas e grupos que estão implantando iniciativas inéditas no país. Baseado em dados do IBGE que confirmam a diminuição da participação das hortaliças no consumo alimentar do brasileiro, o jornal Semente - editado no Brasil pela Seminis com produção editorial da Comunicativa – resolveu abordar o assunto em sua última edição, distribuída no início de novembro.
Dados do IBGE indicam que a participação das hortaliças no consumo alimentar vem diminuindo. A Pesquisa de Orçamento Familiar realizada em nove das principais regiões metropolitanas do país, no período de 1987 a 1996, mostrou que o consumo per capita de hortaliças caiu de 45,5 kg para 34,4 kg por ano, com grandes diminuições nas regiões de São Paulo (de 46,7 Kg para 28,1 kg por ano), Rio de Janeiro (de 54, 3 kg para 39,4 kg por ano) e Porto Alegre (de 48, 8 para 42,9 kg por ano). Em 2003, o IBGE avaliou as despesas mensais familiares em diferentes categorias e classes de rendimento, verificando que o aumento da renda familiar é refletido, automaticamente, no maior consumo de hortaliças.
Um dos primeiros passos no sentido de incentivar a população a consumir mais hortaliças foi idealizado por um grupo ligado à Câmara Setorial de Hortaliças, criada em setembro de 2003. Irene Virgílio, na época presidente da Câmara de Hortaliças, a Secretária Executiva da ABCSem (Associação Brasileira de Comércio de Sementes e Mudas) Adriana Ponte, a Presidente da SOB (Sociedade de Olericultura do Brasil) Profa. Rumy Goto e o dr. José Amauri Buso, da Embrapa, começaram a pensar juntos um projeto que tem por objetivo estimular o consumo de hortaliças no Brasil. Embora ainda em fase de planejamento, algumas alternativas já estão sendo debatidas, como uma campanha nacional conjunta entre as Câmaras Setoriais de Hortaliças e também de Frutas.
No setor privado a preocupação também existe. A rede de supermercados Pão de Açúcar, por exemplo, tem investido em ações sistemáticas de estímulo ao consumo, através de degustações, receitas, encartes informativos e festivais de frutas, verduras e legumes, como informa o consultor Hélio Nishimura. O programa da rede foi baseado em trabalho similar realizado pela Associação de Produtores de Mercado, dos EUA, que anualmente organiza uma feira para mostrar tendências do mercado e dinâmicas que podem motivar os consumidores.
Até a rede de fast food Mc Donald´s fez alterações em seu cardápio, incluindo mais hortaliças e frutas, para atender as mudanças que tem sido apontadas no estilo de vida de seus clientes. Antônio Humberto Simonetti, gerente de desenvolvimento de produtos da rede explica que “ainda é pequeno o número de pessoas que se preocupam com uma alimentação mais saudável, mas sabemos que essa demanda vai crescer e estamos nos preparando para isso”.
Há quatro anos, uma organização não governamental chamada Five a Day (Cinco por Dia) desenvolve um programa alimentar que incentiva o consumo de sucos, frutas, legumes e verduras em empresas estatais e privadas. O projeto original é dos EUA e, de acordo com coordenador do projeto no Brasil, Fabio Hertel, uma alimentação saudável só é possível se forem ingeridas frutas, verduras e legumes pelo menos cinco vezes por dia. Ele garante que as empresas varejistas americanas que promovem o “Cinco por dia” aumentam 15% suas vendas no setor. O lançamento oficial do “Cinco por dia”, está previsto para dezembro, no Rio de Janeiro.
Márcio Nascimento
Gerente de Marketing
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